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Aqui, no OBSERVANTES, têm lugar privilegiado:

A poesia, os sonhos e a utopia. A critica incisiva às realidades concretas de Portugal e do mundo baseadas na verdade constatada e só nela. "A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida". (Eduardo Girão)

Aqui, no OBSERVANTES, têm lugar privilegiado:

A poesia, os sonhos e a utopia. A critica incisiva às realidades concretas de Portugal e do mundo baseadas na verdade constatada e só nela. "A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida". (Eduardo Girão)

10.02.06

A NOITE


João Chamiço


A noite, não é só feita de medos


Nem apenas de sombras duvidosas


E das suas histórias assombrosas


Nem sempre os finais tem de ser medonhos,


A noite, também desvenda segredos


E às vezes é povoada de sonhos.


 


Quando a noite é tenebrosa e fria


Há luzes acesas no céu, eternas


Que oscilam como terrenas lanternas,


Suavizam a infausta escuridão.


A alma desperta p’rá poesia


E atiça em nós a inspiração.


 


Quando a noite, acontece apressada


Viajando para sonhos distantes


Enquanto dá lugar à madrugada,


Esperam por ela outras estrelas


Cintilantes noutros vastos quadrantes


E outros poetas estarão a vê-las.


 


Quando a noite é de forte luar


Hão-de ver-se mais fantasmas da rua


Pelas sombras da noite a deslizar.


Formas projectadas p’la luz da lua


Silhuetas de pares amorosos


Omitem-se aos olhares curiosos.


 


Dos que roubam, a noite é aliada,


Aos amantes dissimula a paixão,


Aos que sonham, cede cumplicidade,


Aos que se escondem dá protecção,


Às estrelas vai despindo a claridade


À medida que cede à madrugada.


 


De noite, os anões são enormes


E todos os gatos se tornam pardos


Gigantes e ferozes leopardos;


As sombras adquirem formas disformes


E uma coruja desassossegada


Transforma-se numa “alma penada”.


  


Diz-se que a noite é boa conselheira,


Quando se adormece rebentado


Se as noites nos transportam ao passado


Mesmo aos que não têm eira nem beira,


Elas podem até ser admiráveis


Sejamos nós ricos ou miseráveis.


 


Quando alguém permanece acordado


E na noite, fita a imensidão,


A beleza eterna do céu estrelado


Como um campo semeado de estrelas,


Imaginamo-nos no meio delas


Transpostos para outra dimensão.


 


Congeminamos milhões de segredos


Dispostos como pedras preciosas


Ao redor de um pescoço de donzela


Que na mente se nos retrata bela,


Que a noite não é só feita de medos


Nem apenas de sombras duvidosas.


 


F.Januário

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