Domingo, 12 de Março de 2006

O MEU BARCO DE PAPEL

Fiz um barco de papel

Que fui pôr a navegar

Prendi-o com um cordel

P’ra ir com ele brincar.

 

O meu barco de papel

Sem que eu saiba explicar

Quebrou o fino cordel

E lançou-se no alto mar.

 

Eu fiquei, a vê-lo partir,

Desgostoso no meu cais;

Queria nele seguir

Mas era tarde demais.

 

Vi-o partir, na viagem

E eu, tão estranhamente

Fixado na sua imagem

Olhava-o infinitamente.

 

Então, como por engano

Dei comigo embarcado

Entre as vagas do oceano

E o céu todo estrelado.

 

Só vi brincando felizes

Meninos por toda a terra

Fui a todos os países

Nunca vi fome nem guerra.

 

Em bátegas de furor

E tardes de calmos ventos,

Era a mão do Redentor

A livrar-me dos tormentos.

 

Que faço neste batel

Todo feito de papel?

Não me perguntem, não sei

Nem como foi que embarquei.

 

Mas o barco de papel

No rumo que leva a vida

Veio ancorar no cordel

Ao mesmo cais da partida.

 

Esta história que contei

Do meu barco de papel,

Acabou quando acordei

Sem ter barco nem cordel.

 

2004-02-29

F. Januário (pseudónimo)

publicado por João Chamiço às 11:49
link do post | comentar | favorito
3 comentários:
De Anónimo a 13 de Março de 2006 às 01:33
Nunca desistas de navegar e ir mais além.Estarei sempre á tua espera no cais da chegada.um beijo ternoMaria João
(http://omeuolhar.blogs.sapo.pt)
(mailto:arcoiris.2005@hotmail.com)
De João Chamiço a 16 de Março de 2006 às 02:01
Em cada cais de chegada nos sentimos náufragos, se não tivermos quem nos abrigue dos temporais. Em cada cais de partida queremos ir em frente num desejo sempre vivo de aventura e curiosidade pelo cais que não conhece ainda os nossos passos. Em ti antevejo um porto seguro.
Um beijo sem desistências de nenhuma ordem.
De Anónimo a 12 de Março de 2006 às 12:01
Parabéns... gostei muito do blog... espero pela visita: diariodocontra.blogs.sapo.pt.Ivinho
(http://diariodocontra.blogs.sapo.pt)
(mailto:boss_ivo@sapo.pt)

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