Domingo, 26 de Outubro de 2008

POEMA PLANGENTE

São tantos os girassóis

À direita do carreiro
Quem os pudera contar!
Tantos são os rouxinóis
Nos salgueiros do ribeiro,
Quem os pudera imitar!
 
São tantas as avezinhas
Que esvoaçam rente ao chão
Num vaivém em frenesim.
São tantas lembranças minhas
Penas em meu coração
Que são negras, de andorinhas.
 
São tantos tristes martírios
Que bordejam o caminho
Moldura de triste imagem.
São tantos os tristes lírios
Multidões em desalinho
Que esmorecem a paisagem.
 
São tantas ervas daninhas
Que se infiltram nas raízes
Como os vermes mais imundos.
São tantas tristezas minhas
Tantas hordas infelizes
De sobreiros moribundos.
 
São tantos cantos bucólicos
De sol quente e vida fria
Versos, cantigas dolentes.
São tantos, tão melancólicos,
Retratos de nostalgia
De olhos que escorrem, plangentes.
 
João Chamiço
2008-08-26
 
publicado por João Chamiço às 23:25
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5 comentários:
De M.Luísa Adães a 28 de Outubro de 2008 às 18:42
João

Quanta tristeza, meu amigo ...

O Sol quente e a terra fria
E o nosso sentir dolente
Sempre à espera
Que a paisagem do nosso encanto
mude, um dia, quando menos se espera.

E às vezes muda! A gente não espera! E não repara!

Bonito o que escreves!

Beijos,

Maria Luísa
De João Chamiço a 28 de Outubro de 2008 às 22:06
O que faz falta é saber fazer dos momentos tristes pontod de partida e não pontos de chegada.
Só assim era possível descrever este quadro, que, entrosando sentimentos com essa "aguarela" acabou numa "visão" descrita assim.

bjs
De M.Luísa Adães a 29 de Outubro de 2008 às 11:33
joão

Muito bem! Gostei do que disseste!

Dos momentos tristes fazer "ponto de partida - nunca "ponto de chegada".

Dizer, é tão fácil de entender e fazer? Tão dificíl de sentir!

E no sentir, dentro de nós, há muito trabalho a fazer ... E como se trabalha ? Sabe?

Beijos,

M. Luísa
De João Chamiço a 30 de Outubro de 2008 às 01:01
Não sei como fazer, mas sei que faço. As mais das vezes, "toco o burro para a frente procurando mantê-lo no trilho, pouco me importando se até ali ele caminhou em zigue-zages".
É claro que nem sempre consigo, e de quando em vêz lá me dá para ficar a magicar um pouco.
bjs
De M.Luísa Adães a 30 de Outubro de 2008 às 08:56
João

engraçado o que diz na forma de realizar o
trabalho a fazer (dentro de si próprio).
Fico esperando a próxima viagem.

Beijos,

Maria Luísa

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