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Aqui, no OBSERVANTES, têm lugar privilegiado:

A poesia, os sonhos e a utopia. A critica incisiva às realidades concretas de Portugal e do mundo baseadas na verdade constatada e só nela. "A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida". (Eduardo Girão)

Aqui, no OBSERVANTES, têm lugar privilegiado:

A poesia, os sonhos e a utopia. A critica incisiva às realidades concretas de Portugal e do mundo baseadas na verdade constatada e só nela. "A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida". (Eduardo Girão)

22.10.08

TRANSUMÂNCIA


João Chamiço

 

http://fotos.sapo.pt/zV9DI86tnheB9BtueYbf/x435

 

Vi, quando os pastores subiam

Muito acima do nevoeiro

 Em busca de novos pastos;
 E das brumas ressurgiam
 Quando os nevões em janeiro
 Lhes dissipavam os rastos.
 
 Sabem de cor os vales sombrios
 E os fantasmas que neles moram
 Desde os tempos da criação;
 Sabem de pastos e pousios
 E das serranas que só choram
 Quando é de sobra, a razão.
 
 Já conhecem as alcateias
 Que moram em morada incerta
 Como os pastores e rebanhos;
 E que vêm de noite às aldeias
 Que é quando a fome mais aperta,
 Jantar-lhes os chibos e anhos.
 
 Mas quando o sol dissolve a neve
 Ao pastor faz falta subir
 E redescobrir o caminho.
 Esboça um sorriso breve,
 Como não tem a quem sorrir
 Aprendeu a sorrir sozinho.
 
 Sabem de cor cada vertente
 E as ilusões que ali madrugam
 Que têm silhuetas de cão;
 E dos olhos discretamente
 Mulheres serranas que enxugam
 Primaveras de solidão.
 
João Chamiço                                                           
      2005-05-08

 

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