Sábado, 18 de Outubro de 2008

TRÊS

    Meus lábios se afoguearam

Entre beijos fugidios,
Três fogos se incendiaram
Nesses teus lábios bravios
Três fogueiras me queimaram.
 
Ao entardecer tardavam
As gaivotas nas falésias,
Três redondilhas cantavam
Num trecho de Júlio Iglésias
Baladas que me enlaçavam.
 
Três donzelas passearam
Na areia quente da praia,
Às três horas se enfeitaram
De vestidos de cambraia
Três fogueiras me queimaram.
 
Três navios fundearam
P’ra lá das vagas agrestes,
Três sereias entoaram
Seus três cânticos celestes
Todas três me enfeitiçaram.
 
Três ondas se agigantaram
Todas as três me venceram,
Três Ninfas que me enlaçaram
Todas as três me esqueceram
No alto-mar me enjeitaram.
 
Três pombas esvoaçavam
Foram três beijos fugazes,
Três penas delas poisavam
Por entre flores lilases
Que ao teu fulgor invejavam.
 
Teus olhos s’iluminaram
Como luzeiros errantes,
Três estrelas cintilaram
Em três clarões chamejantes
Três fogueiras me queimaram.
 
João Chamiço
2006-06-01
publicado por João Chamiço às 00:14
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3 comentários:
De M.Luísa Adães a 18 de Outubro de 2008 às 08:55
O número três para ti é um número mágico;
tantas coisas aconteceram e foram sempre três, os personagens:
3 fogos
3 gaivotas
3 redondilhas
3 donzelas´
3 horas para se enfeitarem
3 navios a fundear
3 sereias cantaram
3 ondas clamaram zangadas
3 pombas esvoaçaram e
deixaram 3 penas
3 estrelas brilharam,
3 cítaras cantaram (não ouviste)
3 fogueiras te queimaram ...

nº. 3 mágico na linguagem simbólica
e no símbolismo o que importa é a substância, a generalidade.

O Predomínio do nº. 3 é evidente em todo o poema.É um número Consagrado, no dizer do Poeta!

Agora tem paciência, vai ao prosa-poetica, hoje às 9 ou 10 horas - manhã - lê, deixa comentário, ou o teu nome, prova elegante da tua presença e "Clarões" agradecem e eu também!

Maria Luísa

p.s.terás visitante assídua de "observantes".
De João Chamiço a 18 de Outubro de 2008 às 10:55
Grato, muito grato pelo comentário. Não sei o que me deu naquele dia para me por a divagar na melancolia do entardecer na Praia da Rocha.
As coisas que nos vêm à cabeça quando temos tempo e a solidão suficiente para alguma introspecção.

Bjs
De M.Luísa Adães a 18 de Outubro de 2008 às 11:51
João

Não tens de agradecer! deixei resposta ao teu comentário - muito bom!

O clarear do dia leva os clarões da noite!

O teu entardecer na Praia da rocha traz a nostalgia!

Benvindo, poeta!

Beijos,

maria Luísa

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