Sábado, 11 de Outubro de 2008

"CRISE ECONÓMICA"

        CRISE ECONÓMICA”

As aspas significam apenas que esta é uma expressão algo duvidosa e que dá imenso jeito a muita boa gente, não passando às vezes de uma pura invenção, uma ilusão, um malabarismo sabiamente executado por parte de quem tudo faz para manter sempre do seu lado as regras que ditam o jogo e que decidem a solução do mesmo.

Pela forma como os “entendidos” abordam esta questão da crise, a que eles também chamam “fenómeno da crise”, seríamos até tentados a pensar que algo de maligno ou de diabólico estaria por detrás desse tal “fenómeno” muito pouco fenomenal. A crermos no que dizem os “sábios”, poderíamos até ficar com a ideia de que a culpa poderia ser atribuída a algum ataque de mau-olhado, a algum desfile nocturno de bruxas, a algum sacrifício de galo preto numa encruzilhada de quatro caminhos a meio de uma noite de breu ou a alguma força gravitacional desconhecida que tendesse a esvaziar ainda mais os bolsos de quem já os tem ocos sugando tudo à sua passagem como se de um buraco negro à escala planetária se tratasse.

Quem sabe até, se o tal “fenómeno” se fica a dever à excessiva aproximação do Sol ou a algum encantamento que o luar em noite de lua cheia possa provocar na humanidade inteira quando o uivo dos lobisomens se faz ouvir. Poderá até ser que a crise seja devida a algum outro fenómeno astronómico desconhecido ou mesmo conhecido, como a passagem de algum cometa demasiado próximo da órbita terrestre, podendo causar alguma influência na nossa massa encefálica que nos ponha a todos a bater mal da bola ao ponto de acreditarmos nisto e passarmos todos a passar a mensagem que voa de boca em boca tão ou mais veloz que os seus primos, os boatos, já que, para isso sim, tem a nossa sociedade tão fértil imaginação.

Pensando melhor, será que algum grupo económico de grande dimensão esteja a proceder a alguma evasão de capital para o exterior do planeta Terra? Será que a migração inter-galáctica de capitais já é possível e tem sido mantida em segredo a toda a população mundial assalariada? Será que algum capitalista fanático das viagens inter-galácticas, já que começa a haver disso, farto de “desbaratar” o dinheiro em salários cá na Terra, tenha conseguido pirar-se daqui com sacas e sacas do vil metal, ou do “vil papel” em direcção ao céu ou ao inferno conforme o gosto, e que sem querer ou de propósito, tenha desencadeado o tal “fenómeno” estranho vulgarmente conhecido por “crise económica?”.

Será que todo aquele chinfrim diário na bolsa de valores não é ele também, pelo menos em parte, uma das fontes geradoras do próprio fenómeno? Ele é comprar, ele é vender, compram-se empresas, vendem-se empresas, quase se vendem e compram países inteiros, toda aquela espécie de macacada, salvo seja, cada funcionário com três telefones em cada orelha, a gesticular de olhos arregalados como fantoches de faz de conta, fazendo até lembrar os célebres bonecos de Santo Aleixo, num teatro de marionetas de fazer partir o coco a rir se o caso não fosse sério.

Achamos até que nos merecem os bonecos um pedido formal de desculpas pela comparação feita.

É claro que, tem cada um o direito às macacadas que entender e se ainda por cima for bem pago para fazer a representação, tanto melhor para eles. De resto isso é lá com cada um e nada nos diria respeito se certas fantochadas, essas e outras, não contribuíssem para que a maioria da população ficasse a fazer figura de urso quando numa manhã qualquer chega à porta da empresa onde deixou às vezes dezenas de anos da sua vida e a encontra de portas cerradas.

Atirados à força para situações que são dramáticas a nível económico e emocional perante as incertezas do futuro da família, dos estudos dos filhos etc. sentem-se os cristãos e os outros como que atirados às feras na arena de um teatro romano.

É claríssimo para todos nós que, vivemos numa economia aberta, cada vez mais aberta, talvez demasiado aberta até. As regras são as que são mais as que o mercado dita e cada vez o mercado as dita mais selvagens e mais agressivas em nome da livre concorrência e da enorme falsidade que é dizer-se que a livre concorrência é em si mesma a defesa do consumidor quando ela não defende consumidor nenhum e sim o bolso de meia dúzia.


Tudo muito bem, tudo isto é tão apreciável que quase nos apetece aplaudir. Porém, este discurso contraditório esquece que o consumidor somos todos nós, os mesmos que não têm poder de compra, os mesmos que não conseguem escoar os seus produtos, sejam eles agrícolas ou manufacturados, os seareiros que tantas vezes não conseguem tirar das terras nem sequer o valor investido e que as mais das vezes pediram emprestado aos bancos, aqueles que regam com o seu próprio suor as searas. Outros por seu lado gastam a sua desconsolada vida nas empresas e estão ao mesmo tempo, de forma camuflada ou não, a sustentar todo esse teatro que se faz à volta destas e de outras fantochadas que em nada favorecem a maioria da população. Porém e para que nem tudo seja negativo, todo o povo está sempre devidamente informado pela rádio. Três ou quatro vezes ao dia toda a nação fica sabendo das últimas novidades sobre o evoluir das tendências bolsistas de Lisboa, Londres, Tókio e Nova Yorque. Assim “todos ficamos a saber” se há ganhos, se há perdas e finalmente se a sessão fechou em alta ou em baixa e por quantos pontos percentuais“. Isto é “deveras útil” à população laboriosa do país, toda esta parafernália de informações de que os milhões de pobres que aqui habitam tanto carecem para que no final da sessão fiquem provavelmente a saber que, afinal o resultado negativo da Bolsa os lixou ainda mais e que afinal e sem que o soubessem e sem que nada tenham feito para isso, foram eles os grandes perdedores da sessão bolsista do dia.


Como diria Laura Esquível; nenhum corretor de bolsa quereria trabalhar para um multimilionário que gostasse de dividir o seu dinheiro com os pobres, assim como nenhum governo quereria ao seu serviço um soldado que, antes de atirar sobre o inimigo se pusesse a pensar na tragédia que poderia representar para a mulher e filhos deste se ele viesse a perecer naquela batalha.


História de uma aldeia com sede

O facto de haver quem considere que a crise económica é um fenómeno, trouxe-nos à ideia uma história em banda desenhada que lemos há já bastantes anos.

Uma aldeia isolada atravessava uma seca nunca vista até então. A água escasseou de tal forma que todas as fontes das redondezas deixaram de correr e nem os poços que haviam nas hortas e nos vales cobertos de milho resistiram à fúria dos elementos que desencadearam aquela enorme e interminável canícula. Apenas numa propriedade, a que ficava mais a montante do vale, a ribeira ali existente continuava como por milagre a jorrar voluntariosa o precioso líquido. Vendo ali uma possibilidade de obter lucro rapidamente, o proprietário apressou-se a impedir que a água pudesse sair da sua propriedade erguendo uma enorme barreira de terra com alguns metros de altura que formou uma represa capaz de suster toda a água, e que dadas as circunstâncias não era assim tanta, ainda que fosse suficiente para todos.

Sem uma única gota de água à sua disposição, lembraram-se os aldeões de ir falar com o dono da água suplicando-lhe que os deixasse beber dela já que, a não ser assim, nenhum deles resistiria por muito mais tempo. A verdade é que o dono da água não estava pelos ajustes e agora que tinha em mãos uma forma segura de fazer dinheiro num negócio sem concorrência, já que mais ninguém em redor tinha uma tal riqueza para vender, era exactamente o que ia fazer; vender a água aos seus vizinhos e amigos. Era até um grande favor que lhes fazia, já que da sua decisão estava dependente a sobrevivência de todos eles.

  • Nós até concordamos consigo. A água está na sua propriedade é certo, mas nós estamos quase sem dinheiro, como é que lhe podemos comprar a água de que precisamos?

- Calma, deixem-me explicar a minha ideia. Tenho para vos apresentar uma solução muito simples e com a qual todos saímos a ganhar. Vou contratá-los a todos para trabalharem na minha exploração de água a partir de hoje e nas seguintes condições: a vossa missão aqui consistirá, se a aceitarem, em transportar água para aquele reservatório lá no alto. Eu pago-vos a €0,50 por cada balde de água que depositem no reservatório. Logo, passam a ter dinheiro para me comprar a água de que necessitam e que eu vos venderei por €0,55 cada balde.

A todos pareceu razoável a proposta. Era justo que o dono da água ficasse com alguma margem de lucro já que essa é a lógica da oferta e da procura, são as leis do mercado a funcionar; diziam eles resignados. Aceites as condições e acordadas as mesmas entre as partes, deu-se início à tarefa da recolha e armazenamento do precioso líquido e desde logo passou a haver água para todos. Todo o povo passou a viver dias de abundância, já que a água ia chegando para saciar as bocas sequiosas de pessoas e animais e ainda para mitigar a sede de algumas culturas que sem ela não chegariam a germinar. Toda a gente tirava o chapéu ao cruzar-se com o generoso vizinho dono da água. O que teria sido deles sem a sua nobreza de alma e o discernimento empreendedor com que passou por cima daquela tragédia anunciada. Não se falava de outra coisa em toda a aldeia e a boa notícia corria mesmo para lá dela, os rostos rejubilavam, havia sempre um ar de riso em todas as bocas e nem mesmo os mais pobres de todos se importavam muito de o ser, se o pouco que tinham lhes bastava, para quê ter mais ambições numa terra em que até o homem mais rico se dispôs a partilhar a sua água com todos e ainda por cima lhes deu oportunidade de trabalharem honestamente? Tudo parecia correr de feição, e assim aconteceu durante muito tempo. Transportava-se a água para o depósito, comprava-se a que fazia falta, era como que um circulo que se completava. Toda a gente vivia tão contente que ninguém se deu ao trabalho de pensar que as coisas podiam muito bem não ser sempre assim já que determinado pormenor estava lentamente a minar a viabilidade deste excelente negócio sem que ninguém se apercebesse e que passamos a explicar: O dinheiro que os trabalhadores recebiam por cada balde de água, não chegava para adquirir essa mesma quantidade de líquido, já que, recebiam €0,50 pelo trabalho mas pagavam €0,55 pela aquisição na loja onde se vendia a água à população. Sem que eles dessem por isso, a água foi muito lentamente crescendo no reservatório devido a esse diferencial, até ao dia em que o reservatório transbordou. Chegado este momento de impasse teve o dono da água de despedir pelo menos alguns trabalhadores. Uma vez o depósito cheio já não tinha trabalho para dar a todos porque a continuar assim passaria a desperdiçar-se a mercadoria inutilmente derramando-se no chão sem qualquer préstimo nem lucro, uma vez que era maior a produção que o consumo. Como os desempregados não podiam comprar a água, esta não se vendia. Como esta não se vendia não valia a pena juntá-la e foi assim que todos acabaram novamente sem trabalho e sem a preciosa água.


Fenómenos, fenómenos, são os do Entroncamento. Ali sim, ali existem de facto verdadeiros fenómenos. São os nabos de três quilos, apesar de haver por aí nabos com muito mais peso e que nem por isso se tornam fenómenos, a sua couve galega que sobe por aí acima e que sem razão aparente facilmente atinge a altura de três jogadores de basquetebol ou ainda uma abóbora menina que daria por si só para confeccionar uma enorme sopa capaz de alimentar durante um dia todas as tripulações de toda a frota de submarinos de guerra portugueses.

Isto sim, são os verdadeiros fenómenos que como tal devem ser vistos, já que hoje em dia, um eclipse total ou anelar do sol ou da lua por exemplo, já não podem ser chamados de fenómenos numa época em que os conhecedores do assunto sabem prever com décadas de antecedência e ao minuto o seu momento inicial e o momento do seu fim graças apenas a estudos matemáticos feitos com base na observação contínua dos astros e dos seus comportamentos.

Não precisamos de ser peritos na matéria para percebermos que os factos ou acontecimentos astrológicos há muito que deixaram de ser fenómenos, tendo em conta o estado da ciência de hoje em matéria de conhecimentos e métodos.

Há uns séculos atrás, alguém que tivesse a ousadia de prever tais coisas e de o dizer publicamente corria sério risco de acabar sentenciado à fogueira acusado de bruxaria ou heresia, mas hoje, só não está ainda na mão dos homens o controlo destes acontecimentos e ainda bem que assim é.

Agora, quando se apelida de fenómenos; a globalização da economia ou as sucessivas e cíclicas crises económicas, não podemos senão deduzir que, aqui sim, anda de facto “bruxedo” metido nisto.

Não é que vem os entendidos falar-nos de fenómenos e dizer-nos que se Deus quiser tudo se há-de resolver? Não brinquemos com assuntos sérios, sejamos claros e explícitos; então a globalização da economia é um “fenómeno”? Bom ou mau? Bom para quem e mau para quem? Quais são os efeitos e influências para a generalidade da população? Ouvindo os comentários entusiastas de um grande empresário nacional, deve ser razão bastante para ficarmos de pé atrás. Se um dos homens mais ricos do país se mostra assim tão convencido das vantagens, devem os pobres delas desconfiar e fazer desde logo a previsão das desvantagens que daí poderão advir.

João Chamiço


(A globalização é um facto. É o fenómeno mais evidente da modernidade, um processo que já conta com meio milénio de duração, uma evolução irreversível resultante dos descobrimentos e extraordinários avanços tecnológicos da humanidade a partir do período da Renascença. Podemos datar a globalização, se quiserem, dos fins do século XV quando portugueses e espanhóis se lançaram "por mares nunca dantes navegados", enquanto Copérnico e Galileu propunham uma teoria heliocêntrica que confirmava a redondeza da Terra e estendia infinitamente os limites do Universo. Desde então, o processo tem avançado a passos de gigante)


http://www.ensayistas.org/antologia/XXA/meira/

sinto-me: Desconfiado
música: Engana-me que eu gosto
tags: ,
publicado por João Chamiço às 16:52
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6 comentários:
De Maria João Brito de Sousa a 14 de Outubro de 2008 às 01:02
Caramba, João! Que magnífico "naco" de prosa que tu publicaste agora! Essa história da "aldeia sequiosa" é uma magnífica metáfora do Capitalismo! Eu sou muito ignorante em termos de política, mas penso (há muito tempo e fico caladinha...) que a globalização sofreu uma espécie de "solavanco para a frente" com os Descobrimentos e com a teoria heliocêntrica de Copérnico e Galileu, mas já era irreversível muito antes disso, tal como seria impensável que os Descobrimentos não viessem a acontecer, fossem os portugueses e espanhóis a iniciá-los ou fossem os esquimós. Penso que faz parte da natureza humana esta expansão. Penso isto desde muito jovem, mas vou estando caladinha porque sou uma loba muito solitária, que vai observando o mundo da janela de sua casa e nunca saiu dela para observar o que se passa pelo mundo.
Um grande abraço!
De João Chamiço a 14 de Outubro de 2008 às 19:28
Sim, o sonho! Sim, a quimera! Sim, a ilusão! Sem os sonhos, sem as quimeras, sem as ilusões, a vida não tem sentido e não oferece interesse. A utopia é o principio de todo progresso. Sem as utopias de outrora, os homens viveriam ainda miseráveis e nus nas cavernas. Foram os utopistas que traçaram as linhas da primeira cidade... Dos sonhos generosos, nascem as realidades benéficas...

(Anatole France, Aos Estudantes)
De Maria João Brito de Sousa a 15 de Outubro de 2008 às 00:13
Olha... agora é que eu percebi de onde me nasceu o soneto de hoje! Foi necessário reler a parte final do meu comentário de ontem para descobrir a origem dele! Não to dediquei, mas deveria ter dedicado! Ainda vou a tempo, na reedição de posts. Fica dedicado a ti!
Abraço!
De M.Luísa Adães a 15 de Outubro de 2008 às 09:38
João Chamiço

Agradeço ter-me adicionado como amiga;
eu aceito e congratulo a Amizade! Com letras enormes, escritas no Espaço Sideral a entrarem com amor, no Espaço Virtual.

Os seus textos são extensos, bem delineados, situações bem analisadas! Gosto do seu escrever! Deve saber eu escrevo poesia e prosa-poetica, desde miúda e passaram-se
alguns anos ... não sei quantos ... deixei de contar o tempo e um dia" parei todos os relógios da Terra" - foi um estado anímico de conturbação geral. Mas está tudo normal!

Sinto-me grata à sua gentileza. Não vou esquecer! Convido-o a ler o que lhe apetecer
nos meus pequenos espaços e vou dar os nomes, para não esquecer:

http://prosa-poetica.blogs.sapo.pt


http://os7degraus.blogspot.com

Dê-me a graça da sua presença e breves palavras , ou apenas o seu nome, a marcar a sua presença.

Com amizade, sou

Maria Luísa
De João Chamiço a 15 de Outubro de 2008 às 12:59
Olá Maria Luísa.
Se observar os comentários que costumo deixar na poetaporkedeusker verá que prefiro comentar sempre, ou quase sempre com metáforas.
Não iria fazê-lo agora aqui, já que é a primeira vez que aqui deixo qualquer coisita. Grato pela rapidez com que aceitou o meu pedido de amizade. Prometo dar uma volta pelos outros blogs que indicou. Já agora, convido-a a entrar no meu perfil, já que há por lá mais uns devaneios que julgo modestamente interessantes.
Quanto ao meu nome, é exactamente aquele que aparece nos meus comentários: João Chamiço-
Saudações poéticas
De M.Luísa Adães a 15 de Outubro de 2008 às 14:41
João Chamiço

Quem escreve por metáforas é, de certa forma, poeta!

Vou tentar , com prazer conhecê-lo melhor;
é amigo de poetaporkedeusker - é meu amigo!
Como poeta eu escrevo de forma intimista, abstracta e parece-me escrever de maneira
incomum, mas real, verdadeira, humanista.
Volátil como o fumo que no final, vai pousar,
nalgum lugar.

Espero por si, entretanto, espera por mim!
Agradeço a sua amizade!
O meu nome também é verdadeiro,

maria luísa Adães

Com carinho,

Maria Luísa

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