Sábado, 7 de Junho de 2008

BARCO DE PAPEL

                                Fiz um barco de papel

Que fui pôr a navegar

Prendi-o com um cordel

P’ra ir com ele brincar.

 

O meu barco de papel

Sem que eu saiba explicar

Quebrou o fino cordel

E lançou-se no alto mar.

 

Eu fiquei, a vê-lo partir,

Desgostoso no meu cais;

Queria nele seguir

Mas era tarde demais.

 

Vi-o partir, na viagem

E eu, tão estranhamente

Fixado na sua imagem

Olhava-o infinitamente.

 

Então, como por engano

Dei comigo embarcado

Entre as vagas do oceano

E o céu todo estrelado.

 

Só vi brincando felizes

Meninos por toda a terra

Fui a todos os países

"Nunca vi fome nem guerra".

 

Em bátegas de furor

E tardes de calmos ventos,

Era a mão do Redentor

A livrar-me dos tormentos.

 

Que faço neste batel

Todo feito de papel?

Não me perguntem, não sei!

Nem como foi que embarquei!

 

Mas o barco de papel

No rumo que leva a vida

Veio ancorar no cordel

Ao mesmo cais da partida.

 

Esta história que contei

Do meu barco de papel,

Acabou quando acordei

Sem ver barco nem cordel.

 

João Chamiço

sinto-me: Embalado ao som do mar
música: Canção do Mar
publicado por João Chamiço às 23:58
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8 comentários:
De TiBéu ( Isa) a 8 de Junho de 2008 às 01:18
m_gif_Fruit020.jpg
Bom domingo com muito sol. bj
Tambem brinquei com barcos de papel, que colocava nas valestas quando chuvia, e depois á chuva ia ver até onde ele chegava. Belos tempos
De João Chamiço a 8 de Junho de 2008 às 01:34
Grato pela visita e pelo comentário. Já fiz um breve passeio aí pelo TiBéo que achei uma maravilha.
Acho que voltarei.

Retribuo o Bj
De Maria João Brito de Sousa a 8 de Junho de 2008 às 12:53
Ó João, tu vai ver o post que eu publiquei hoje,
um pouco antes de vir saber novidades tuas.
Há coincidências do arco-da-velha!!!
Maria João
De João Chamiço a 8 de Junho de 2008 às 17:17
Sabes, têm passado por mim tantas coincidências que já pouco ou nada acredito nos acasos.
Chego mesmo a pensar, e já o tenho dito, que a palavra acaso deve ter sido inventada apenas porque não haviam explicações para certas coincidências tidas por acasos. Utilizemos então as palavras que temos, e assim, há ainda outro acaso ou coincidência ou lá o que for; é que, só não pus um barquito de papel a encimar as quadras porque não tinha essa imagem à mão, já que bem pensei nisso, e porque não tive já apciência para procurar. quem sabe se teria encontrado as mesmas que encimam o teu poema.

Coincidências ou não, lá que são mesmo do arco-da-velha, como dizes, isso é que são! e o restou vou dizer-te agora: só publiquei este trabalho depois de ler um belíssimo texto da "Café Com Natas" que de imediato me fez pensar no Meu barco de Papel. Queres mais coincidências?. É melhor não!.

Bom fim de semana
Bjs
De Maria João Brito de Sousa a 8 de Junho de 2008 às 20:30
Tens razão. É melhor não. Mas esta imagem não a encontratias na net. Foi uma fotografia
que tirei ontem ao fim da tarde, na mesa do café e que enviei por mms...
O Pc esteve meio morto durante algumas horas, mas agora estou a conseguir responder ao teu comentário.
Se ainda te apetecer ilustrar o teu poema, podes vir buscar esta imagem. É muito minha e cedo-a a quem eu quiser. Fica à vontade.
Um abraço!
De Café com Natas a 23 de Junho de 2008 às 13:10
Então, como por engano
Dei comigo embarcado
Entre as vagas do oceano
E o céu todo estrelado.

Olá João,
Esta viagem de sonho, para além de ser linda tem muito para ensinar... um sonho é uma vontade adormecida.
Venho desejar-te um bom s. João
Beijinho
De João Chamiço a 23 de Junho de 2008 às 21:41
Pois é.
Os sonhos são das poucas coisas que na vida nos pertencem de verdade. Não precisam de Escritura Pública nem de Registo. Não há penhora das Finanças nem providência Cautelar que possam impedir esta realidade. Grato por me desejares bom S. João, mas mais grato ainda por te lembrares de passar por aqui.
Bjs
De Café com Natas a 26 de Junho de 2008 às 00:21
Ó João, ora essa...
Não quero que me agradeças por eu passar por aqui. Eu gosto de vir cá e só não venho mais vezes porque o tempo me escasseia, mas fica a saber que embora não comente sempre não deixo de passar aqui sempre que posso.
Beijinhos

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