Terça-feira, 29 de Abril de 2008

BAGDAD

Sempre que “rosna” um canhão

Sai à rua a mortandade

Onde a lei é transgressão.

Bagdad, cidade morena

De morte e barbaridade

Quando serás tu serena?

 

Camões, escreveu um dia,

– Tanta guerra, tanto engano –,

Provavelmente sabia

Que passado tanto ano

Tanto haveria de engano

Como guerras haveria.

 

Neste livro que vos deixo”

Disse um dia António Aleixo;

À guerra não ligues meia ,

Porque alguns grandes da terra

Vendo a guerra em terra alheia
Não querem que acabe a guerra”.

 

Soltam falsas brancas pombas

Esses que soltam as bombas

Que enchem de morte a cidade.

Bagdad, cidade morena

De morte e barbaridade,

Quando serás tu serena?

 

2004-12-26

 

João Chamiço

sinto-me: Revoltado
música: Maria da Fonte
publicado por João Chamiço às 00:45
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7 comentários:
De Café com Natas a 29 de Abril de 2008 às 00:58
Arrepiei-me ao ler isto.
Tanta verdade escondida neste poema, tanto alerta que deixa... O Aleixo via muito mais além e via com os olhos da alma e da humildade.
Gostei muito deste poema revoltado.
Beijinho
De Maria João Brito de Sousa a 30 de Abril de 2008 às 00:34
Quando? Quem me dera poder ser optimista, conseguir prever o fim desta guerra insana...
mas ´não consigo. Não consigo mesmo.
Não vejo bom senso que possa prevalecer sobre os esmagadores interesses que movem esta guerra...
Um abraço!
De João Chamiço a 30 de Abril de 2008 às 01:13
Devo confessar que, de certo modo detesto quando as palavras me espicassam para me levarem a escrever sobre as sombras negras da humanidade. Porém, essas sombras negras existem, infelizmente. Ontem ganhei coragem para publicar (Bagdad), mas tenho outro poema sobre o Iraque muito mais "pesado" do que este, e que até a mim me custa ler. Veremos se o exponho à luz dos vossos olhos, que estou certo merecem ler outras coisas.
Uma boa noite e bjs
De Maria João Brito de Sousa a 30 de Abril de 2008 às 02:07
João, as coisas duras, cruéis e pesadas, existem mesmo. Por muito que seja recomendável à saúde falar das coisas menos cruéis, sempre foi papel da poesia denunciar as injustiças. Um alerta, de vez em quando, só demonstra que não somos indiferentes.
Uma boa noite para ti também.
De Maria João Brito de Sousa a 2 de Maio de 2008 às 16:32
Vim espreitar, para ver se havia alguma nova notícia de Bagdad...
Abraço!
M. João
De João Chamiço a 3 de Maio de 2008 às 01:30
Não pude resistir ao desafio, mas espero bem que "não gostes" deste "Crianças de Bagdad"

Bjs
De Maria João Brito de Sousa a 3 de Maio de 2008 às 01:41
Vim pelo link de email e ainda nem vi. Confesso que até tenho um certo receiozinho de ver... mas lá vou eu.
Até já.

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