Domingo, 26 de Março de 2006

FEIA

Hoje, feia te vou chamar,

Já que, quando te chamo bela

Dizes com teu ar de donzela

Que eu estou a exagerar.

 

Eu bem sei, que estou a mentir,

Sem intuito de maldade;

Mas sempre que digo a verdade,

Tu te recusas a admitir.

                    

Mas ainda que a tua beleza,

Fosse por subtil singeleza

Uma realidade ausente;

 

A que mora, dentro de ti

Que ao amanhecer pressenti

Estaria p’ra mim presente.

                        f.januário(pseudónimo)

 

sinto-me: Calmo como a música acima
música: Del Enzima-Romances & Vilancicos
publicado por João Chamiço às 21:44
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SILÊNCIOS

Nem as pedras da calçada

Que pisas tão delicada

Me dizem se lá caminhas:

As gaivotas, confidentes

Sabem das agruras minhas

E o rigor com que me mentes.

 

Se existem no teu caminho

Tapetes de puro linho

Que alguém te quis estender,

Os meus não pude mostrar

Porque os não quiseste ver

Nem sobre eles passar.

 

À lua mando recados

Ela não ouve os meus brados

E eu não a posso obrigar;

Se uma noite ela quiser

Meus recados te levar

Silêncios lhe vou dizer.

 

Até lá, vou ficar mudo

Nem direi que mais que tudo

Me consome a tua ausência;

E de olhos fixos no chão

Cumprirei em penitência

Penas da minha ilusão.

 

“O vento cala a desgraça”

E o grito de quem passa

Silêncios que ensurdecem,

Verdades nuas e cruas

Que não dizes, me entristecem

Não saber de novas tuas.

 

João Chamiço

sinto-me:
música: preludio-y-fuga (Sebastien Bach)
publicado por João Chamiço às 16:45
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Domingo, 19 de Março de 2006

PENSEI

Pensei chamar-te de “|a|m|o|r|

Não pude chamar-te assim,

Preferi chamar-te flor

Com perfume de jasmim.

 

Pensei chamar-te “|a|m|a|d|a|

Mas podias não gostar,

Chamei-te antes de fada

Óh musa do meu cantar.

 

Pensei chamar-te “|_|_|_|_|_|_|”

Fiz minha boca calar,

Não fosse o meu coração

Dizer p’ra me apaixonar.

 

Pensei chamar-te “|_|_|_|_|_|_|_|”

Chamei-te antes, mulher,

Se isto é doença sem cura

Dela eu quero morrer.

 

Pensei chamar-te de Musa

Gaivota, Ninfa do Tejo,

Chamei-te botão de blusa

Tão perto do meu “|_|_|_|_|_|_|”

 

F. Januário

 

 

sinto-me:
música: PORTUGUESA EM PRIMEIRO LUGAR
publicado por João Chamiço às 14:12
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Sábado, 18 de Março de 2006

A REVOLTA

Se a torrente faz o rio transbordar

E soltar-se das margens em convulsões.

A revolta que a excessos dá lugar

Salta das margens, como as revoluções.

 

Mas quando o rio, mostra a sua revolta

Reclama o domínio que lhe pertence,

E a fúria da Natureza anda à solta,

Correm no rio, forças que ninguém vence.

 

Do rio, se diz que é tumultuoso;

E as margens que o contraem? O que são?

O rio, só se liberta revoltoso,

E o servo, da orla da escravidão.

 

Quando o rio se amansa, tudo é perfeito

E tudo em seu redor tende a se acalmar;

O gigante, adormece no seu leito

São as forças da revolta a descansar.

 

F. Januário

sinto-me: PORTUGA ATÉ AO TUTANO
música: Cantiga de Amigo (Zeca Afonso)
publicado por João Chamiço às 01:17
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Quarta-feira, 15 de Março de 2006

ALGEMAS

ALGEMAS
(Soneto a Florbela)
 
As flores de amor-perfeito
Que decoram tuas tranças,
São aquelas que em meu peito
Ressuscitam as lembranças.
 
Teu coração me namora
Em paixões de faz-de-conta;
Que em rimas tuas de outrora
Amor novo me desponta.
                                                                
Cinco versos, redondilha,
Cinco cais de uma só ilha
Os dedos com que me “agarras”.
 
Os versos dos teus poemas
São as chaves das algemas
E as cordas com que me amarras.
.
João Chamiço 
.
 
Algemas, (Soneto a Florbela), podia perfeitamente chamar-se (Soneto a Natália (Natália Correia), e é nem mais nem menos que um sincero tributo a todas as poetisas, sejam elas consagradas ou não.
A todas as mulheres que através da escrita poética nos levam em viagens pelo interior dos seus próprios sonhos.
sinto-me: Pequenino
música: Ser Poeta é ser Mais Alto
publicado por João Chamiço às 20:51
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Domingo, 12 de Março de 2006

O MEU BARCO DE PAPEL

Fiz um barco de papel

Que fui pôr a navegar

Prendi-o com um cordel

P’ra ir com ele brincar.

 

O meu barco de papel

Sem que eu saiba explicar

Quebrou o fino cordel

E lançou-se no alto mar.

 

Eu fiquei, a vê-lo partir,

Desgostoso no meu cais;

Queria nele seguir

Mas era tarde demais.

 

Vi-o partir, na viagem

E eu, tão estranhamente

Fixado na sua imagem

Olhava-o infinitamente.

 

Então, como por engano

Dei comigo embarcado

Entre as vagas do oceano

E o céu todo estrelado.

 

Só vi brincando felizes

Meninos por toda a terra

Fui a todos os países

Nunca vi fome nem guerra.

 

Em bátegas de furor

E tardes de calmos ventos,

Era a mão do Redentor

A livrar-me dos tormentos.

 

Que faço neste batel

Todo feito de papel?

Não me perguntem, não sei

Nem como foi que embarquei.

 

Mas o barco de papel

No rumo que leva a vida

Veio ancorar no cordel

Ao mesmo cais da partida.

 

Esta história que contei

Do meu barco de papel,

Acabou quando acordei

Sem ter barco nem cordel.

 

2004-02-29

F. Januário (pseudónimo)

publicado por João Chamiço às 11:49
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Sexta-feira, 10 de Março de 2006

A AMIZADE

A AMIZADE

Deu-me a vida a incumbência

De sempre dar à amizade

Forma, vulto e conteúdo,

Porque nela a transparência

E o valor da lealdade

São na vida, mais que tudo.

 

É sem regras definidas

E o logro em pano de fundo

Que os embusteiros se entendem,

E as amizades fingidas

É que governam o mundo

Onde os pudores se vendem.

 

Se a amizade fosse um vulto

Bem posto em evidência

E linhas bem definidas,

Desvendaria o insulto

À própria inteligência

Das amizades fingidas.

 

Se a amizade fosse somente

Chamar de amigos sem terem

Por eles bons sentimentos,

Não faltava p’ra aí gente

Sem os “amigos” saberem

Contando amigos aos centos.

 

2005-04-03

João Chamiço

publicado por João Chamiço às 22:00
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