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Aqui, no OBSERVANTES, têm lugar privilegiado:

A poesia, os sonhos e a utopia. A critica incisiva às realidades concretas de Portugal e do mundo baseadas na verdade constatada e só nela. "A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida". (Eduardo Girão)

Aqui, no OBSERVANTES, têm lugar privilegiado:

A poesia, os sonhos e a utopia. A critica incisiva às realidades concretas de Portugal e do mundo baseadas na verdade constatada e só nela. "A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida". (Eduardo Girão)

26.03.06

SILÊNCIOS


João Chamiço

Nem as pedras da calçada

Que pisas tão delicada

Me dizem se lá caminhas:

As gaivotas, confidentes

Sabem das agruras minhas

E o rigor com que me mentes.

 

Se existem no teu caminho

Tapetes de puro linho

Que alguém te quis estender,

Os meus não pude mostrar

Porque os não quiseste ver

Nem sobre eles passar.

 

À lua mando recados

Ela não ouve os meus brados

E eu não a posso obrigar;

Se uma noite ela quiser

Meus recados te levar

Silêncios lhe vou dizer.

 

Até lá, vou ficar mudo

Nem direi que mais que tudo

Me consome a tua ausência;

E de olhos fixos no chão

Cumprirei em penitência

Penas da minha ilusão.

 

“O vento cala a desgraça”

E o grito de quem passa

Silêncios que ensurdecem,

Verdades nuas e cruas

Que não dizes, me entristecem

Não saber de novas tuas.

 

João Chamiço